Poucas coisas desgastam tanto a relação com o cliente quanto uma discussão sobre garantia. O cliente volta com um problema, a oficina diz que não é o mesmo serviço e ninguém tem nada registrado para provar o que foi combinado. A saída é conhecer as regras básicas e deixar a garantia clara na ordem de serviço. Este texto é informativo e não substitui a orientação de um advogado.
Garantia legal: o que a lei já assegura
O Código de Defesa do Consumidor prevê a garantia legal, que existe mesmo que a oficina não escreva nada. Em geral, para serviços e produtos duráveis, o consumidor tem 90 dias para reclamar de vícios aparentes, contados da entrega do serviço. Quando o defeito é oculto, o prazo começa a contar a partir do momento em que ele aparece. O reparo de um veículo costuma ser tratado como serviço durável.
Garantia contratual: o que a oficina oferece a mais
A garantia contratual é um prazo adicional, dado por vontade da oficina, e deve ser informada por escrito. Ela complementa a garantia legal, não a substitui. Algumas oficinas oferecem, por exemplo, um prazo maior em determinados serviços ou em quilometragem. O importante é que as condições fiquem claras: o que cobre, o que não cobre e por quanto tempo.
Peças e componentes
O Código de Defesa do Consumidor também diz que, na reparação, devem ser usados componentes novos e adequados, ou que mantenham as especificações técnicas do fabricante, salvo autorização em contrário do consumidor. Se o cliente aceita peça usada ou de segunda linha, registre isso na ordem de serviço, com a aprovação dele. Peças com garantia do fabricante devem ter essa informação repassada ao cliente.
O que a garantia normalmente não cobre
- Defeito causado por mau uso ou por desgaste natural.
- Problema em peça ou serviço que não foi feito pela oficina.
- Dano por acidente ou intervenção de terceiros depois da entrega.
- Item que o cliente recusou trocar contra a recomendação registrada na OS.
Para essas exclusões valerem na prática, elas precisam estar registradas. Se o mecânico recomendou trocar um item e o cliente recusou, isso precisa constar na ordem de serviço, com a aprovação ou recusa dele.
Como registrar a garantia na ordem de serviço
- Escreva o prazo de garantia de cada serviço e de cada peça, com a data de início.
- Informe o que está coberto e o que não está, em linguagem simples.
- Registre as recomendações recusadas pelo cliente.
- Anote a quilometragem na entrega para facilitar a análise de um retorno.
- Guarde fotos do antes e do depois do serviço.
- Faça o cliente receber essas informações, por exemplo pelo link da OS no WhatsApp.
Como tratar um retorno sem perder o cliente
Receba o cliente com tranquilidade, abra uma nova OS ligada à anterior e analise o histórico: o que foi feito, com quais peças, em que data e com quantos quilômetros. Com o registro em mãos, a conversa deixa de ser opinião contra opinião. Se for realmente garantia, resolva rápido, porque a forma como a oficina trata um retorno pesa mais na confiança do que o erro em si. Veja também como ganhar a confiança do cliente da oficina.
Histórico completo de cada veículo
Ordens de serviço com fotos, peças e aprovação do cliente guardadas por veículo, para resolver retorno e garantia com tranquilidade.
Criar conta grátisPerguntas frequentes
- Qual o prazo de garantia de serviço em oficina mecânica?
- Pela garantia legal do Código de Defesa do Consumidor, em geral o consumidor tem 90 dias para reclamar de vícios aparentes em serviços e produtos duráveis, contados da entrega. A oficina pode oferecer um prazo maior como garantia contratual.
- A garantia precisa estar por escrito?
- A garantia legal existe mesmo sem documento. A garantia contratual deve ser informada por escrito, com o que cobre, o que não cobre e o prazo. Registrar na ordem de serviço evita discussão.
- A oficina pode usar peça usada?
- Somente com autorização do cliente. A regra geral é usar componentes novos e adequados ou que mantenham as especificações do fabricante, e qualquer exceção deve ser aprovada e registrada.